6 de novembro de 2018

OS DEZ MANDAMENTOS



Os dez mandamentos dados por Deus ao ser humano, e a cada um de nós em particular, são um sinal luminoso do seu grande amor para conosco. Um bom pai, porque ama seus filhos e os quer sadios, felizes, bons, honestos, trabalhadores e realizados, procura ensiná-los, dar-lhes bons conselhos e sábias orientações de vida. Assim também, porque nos ama, e quer sempre o nosso bem, nosso Pai celeste nos dá dez grandes ensinamentos em forma de mandamentos. Eles são grandes provas do  amor do Pai para conosco.
Qual a mística dos dez mandamentos?  Uso a palavra “mística” no sentido de “espírito”, de “ótica espiritual”, de “objetivo íntimo”, de “finalidade última”. A mística, o espírito, a ótica, o objetivo, a finalidade dos dez mandamentos está no amor, encontra-se no grande amor de Deus, Uno e Trino, para com o ser humano. Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança e que nos ama com amor eterno, quer orientar-nos pelos caminhos da verdade, do bem e da felicidade. Deus demonstra seu grande amor para conosco, também por meio dos dez mandamentos.
Nos dez mandamentos, Deus Pai nos educa para que vivamos em profundidade o “amor a Deus”, e o “amor ao próximo”. Os primeiros três mandamentos nos educam para o nosso relacionamento de amor para com o Deus Trindade. Os outros sete mandamentos nos educam para um verdadeiro amor ao próximo.
Quando um bom pai ensina, dá conselhos, exorta, chama atenção, e até dá ordens ao filho, sempre o faz por amor e para o bem do mesmo, porque o ama. É por infinito amor para conosco, seus filhos, que o Pai celeste nos dá os dez mandamentos. São diretivas de amor para o nosso bem maior. São setas indicativas do caminho verdadeiro para nossa vida. Quem vive esses mandamentos vive a verdadeira hierarquia de valores, caminha na verdade, faz sempre e só o bem, é mais feliz e sadio, granjeia o respeito, a estima e a admiração de seus irmãos. E sobretudo, tem a garantia do bem-querer e da bênção do Pai celeste, exatamente por lhe ser obediente. Obedecer aos mandamentos é obedecer e amar a Deus Pai, a Jesus e ao Espírito Santo. A fidelidade na obediência aos dez mandamentos traz as melhores bênçãos divinas.
Observação: Nas próximas dez postagens vou explicar cada mandamento.


31 de outubro de 2018

O Auxílio Espiritual Aos Falecidos


        
Resultado de imagem para Imagens do Purgatório            Para que orar, celebrar Santas Missas, realizar atos de caridade, alcançar indulgências em favor dos nossos falecidos? Faz sentido? Eles são realmente beneficiados? Ora, os que vão para o Céu já estão na plena felicidade, e os que vão para o inferno já não há o que fazer por eles, pois o inferno é eterno, como é o Céu. Então, para que orar pelos mortos?
            Baseada na Sagrada Escritura, iluminada pelo Espírito Santo e pela reflexão teológica, a Igreja – desde os primórdios – tem a certeza da existência do purgatório, ou seja, de um período de purificação para aqueles que morreram na amizade de Deus (em estado de graça), mas que levam consigo “impurezas, imperfeições” que precisam ser “purificadas”, para poderem entrar no céu.
            Purificar de quê? 1.Dos pecados veniais não perdoados antes da morte. 2. Das sequelas que permaneceram na pessoa, por causa dos pecados mortais perdoados em vida, ou de todos os outros pecados veniais perdoados. “Todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas, que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no purgatório” (CIC n.1472). Um exemplo: alguém pratica adultério ou relações sexuais entre solteiros. Arrepende-se e confessa sinceramente seus pecados. A culpa é perdoada, mas permanece a experiência erótica que muitas vezes grita para fazer voltar ao prazer. Essa sequela precisa ser “purificada”, ou antes da morte ou no purgatório. Outros levam consigo, na morte, ressentimentos, mágoas, sentimentos de vingança; outros, apegos fortes a bens materiais; outros, tropeços na fé causados pela busca de soluções de problemas em falsas religiões; outros por más ações ou intenções no exercício de sua profissão etc. Todas as sequelas “sujas” dos pecados, mesmo perdoados, precisam ser “purgadas”, para se poder entrar na visão beatífica.
Os falecidos que estão no purgatório sofrem. A tradição da Igreja descreve, desenha e pinta o purgatório como “um lugar cheio de chamas de fogo purificador”. É evidente que se trata apenas de “dar uma ideia material, visual” daquele sofrimento. O sofrimento purificador é causado principalmente pelo fato de a pessoa estar ali pertinho de Deus e do Céu, e ainda não poder entrar “por própria culpa”, por causa de seus pecados. O desejo de estar com Deus, com os Anjos e os Santos é tão profundo, tão intenso, que a espera e a demora causam “sofrimentos”, como um “fogo” na alma.
            Após o que foi escrito acima, fica muito fácil compreender o significado e a importância de socorrer espiritualmente os falecidos que se encontram na purificação. Todo sufrágio que realizarmos pelos falecidos tem como objetivo alcançar-lhes o perdão divino e a purificação plena, a fim de que o mais depressa possam sair do sofrimento e entrar na glória dos Céus.
            O objetivo de “tirarmos do sofrimento” e de “levarmos para o Céu” o mais depressa possível os nossos entes queridos falecidos, deveria induzir-nos a realizar de imediato o maior número possível daqueles auxílios espirituais mais perfeitos e apropriados, a eles aplicáveis. Por que deixá-los sofrer, se podemos levá-los para a felicidade do Céu? Por que deixá-los esperar no sofrimento, talvez por muito tempo, se podemos socorrê-los rapidamente?
            Os socorros mais indicados são: 1º A celebração da Santa Missa oferecida pelos que partiram. 2º Todas as orações dirigidas a Deus em sufrágio dos que partiram. 3º Obras de generosidade e caridade realizadas e oferecidas a Deus, em favor dos falecidos. 4º As indulgências aplicáveis aos falecidos, como aquelas dos dias de finados.
A melhor de todas, a mais apreciada por Deus, a que maior poder possui para purificar os falecidos é a Santa Missa oferecida por eles. Isso porque na Santa Missa se torna realmente presente o “Santo Sacrifício de Jesus, oferecido na cruz”. Oferecer uma Santa Missa por um falecido é como “fazer uma troca” com Deus Pai. Nós lhe entregamos o Corpo sacrificado e o Sangue derramado, com todo o amor com que Jesus se imolou, para que “em troca”, o Pai perdoe e purifique o falecido, e o leve para o Céu.          Quem compreende o que está dito acima, vai “superar a tradição” de apenas oferecer missas de 7º, 30º e de aniversário de morte. Porque não oferecer Santas Missas no 1º, no 2º, no 3º, no 4º dia, todos os dias, por muitas semanas e até meses seguidos? Se, por nossa falta de fé e de piedade, não conseguirmos tirar da purificação nosso ente querido na missa de 7º dia, vamos deixá-lo sofrer e esperar nosso socorro até a Missa de 30º dia? Ou até a Missa de um ano depois de sua morte? Deu para compreender?...  


30 de outubro de 2018

O SANTO SACRIFÍCIO NA MISSA


                            PARA VOCÊ QUE PARTICIPA FREQUENTEMENTE DA SANTA MISSA                    

Você já se perguntou por que, na Igreja Católica, quase todo o culto se concentra na celebração da Santa Missa? Você já percebeu como a Santa Missa é celebrada todos os dias, e mais vezes por dia, em todas as igrejas paroquiais, em muitas capelas e em tantos outros lugares sacros? Já constatou como se celebra a Santa Missa nos sepultamentos, como "missa de corpo presente", como se celebra para realizar casamentos, batizados ou a unção dos enfermos? Já notou como se celebra para festejar o Santo padroeiro de um bairro ou de uma vila, para iniciar alguma festa social, cultural ou tradicional, para inaugurar uma escola, um centro comunitário, e até um campo de futebol?
Será que a celebração da Santa Missa está presente em quase todas as manifestações do culto católico porque a Igreja não tem outras formas de culto, mais significativas ou apropriadas? Ou seria porque os padres não sabem fazer outra coisa melhor, ou lhes diria menos trabalho celebrar sempre a Santa Missa? Ou seria porque a Santa Missa tem algo muito especial, talvez invisível aos olhares menos atentos, que a torna, na verdade, o melhor, o mais perfeito, o mais importante ato de culto da Igreja Católica? O que você responderia a essas indagações?
Para ser verdadeira a resposta precisa necessariamente ser baseada no conhecimento daquilo que é a essência, o coração, a razão de ser dessa celebração. Aliás, essa essência, a razão maior de ser, eu diria, o coração da Santa Missa é desconhecido pela grande maioria dos católicos de missa dominical ou até os de missa mais freqüente. Infelizmente esta é a verdade.
O Concílio Ecumênico Vaticano II diz, no documento da liturgia que "A Eucaristia é o ponto 'mais alto' da vida da Igreja e a 'fonte' de todas as graças". Se o Concílio afirma que a Eucaristia, a Santa Missa, é o "ponto mais alto" da vida da Igreja, então se deduz que não há outro ato de culto mais significativo e importante, mais santo e mais agradável a Deus.
Se o Concílio falou... está falado! Cabe-nos, então, descobrir o que é a Santa Missa, o que há nela, o que ocorre durante sua celebração, para que seja o "ponto mais alto da vida da Igreja e a fonte de todas as graças".
Digamo-lo logo: o que faz a diferença entre a Santa Missa e todos os outros atos de culto, por mais lindos, piedoso, solenes ou emocionantes que sejam, é exatamente isto: na Santa missa se faz presente, real e verdadeiramente, o sacrifício que Jesus ofereceu ao Pai, na cruz, pela salvação da humanidade. Esse sacrifício se faz presente a fim de que Ele, Jesus sacerdote  e vítima, e todos nós, por Ele, com Ele e nEle, o ofereçamos sempre de novo ao Pai celeste.
Eis a diferença extraordinária entre a Santa Missa e os demais atos de culto!

O SACRIFÍCIO DE JESUS EM CADA SANTA MISSA

Os desígnios do Pai celeste para a nossa salvação determinavam que o seu Filho viesse ao planeta  terra, se encarnasse, vivesse uma vida humana igual aos humanos, menos no pecado, anunciasse a  Boa Nova do Reino de Deus, se entregasse à morte de cruz, ressuscitasse e voltasse aos Céus.  Jesus, por amor ao Pai e para salvar a humanidade, realizou plenamente os desígnios da vontade de seu Pai.
Jesus, no auge de sua vida terrena, entregou-se à paixão e morte, oferecendo-se na cruz como vítima, como sacrifício de salvação. Este foi o maior ato de amor que já foi dado ao Pai e, ao mesmo tempo, a maior prova de amor dada ao ser humano. Jesus deu sua vida por nós, a fim de que pudéssemos obter a reconciliação com Deus e a vida plena e eterna. A morte de Jesus na cruz foi um verdadeiro sacrifício. Aliás, um sacrifício de méritos infinitos, de valor infinito, pois a natureza que morreu é humana, mas a Pessoa que fez e faz a oferta do sacrifício é divina, pois Jesus é Deus.
Assim como Jesus ofereceu ao Pai, na cruz, o maior gesto de amor imaginável, Ele quis que os seus discípulos, em sua Igreja, pudessem cultuar a Deus com um culto que fosse o mais perfeito, o mais santo, o mais agradável e o mais extraordinário. Jesus não quis mais que os remidos pelo seu sacrifício,
pelo dom de sua vida, tivessem que continuar, como no Antigo Testamento, a  oferecer bois, cordeiros, aves ou cereais em sacrifício, para o culto divino. O seu Coração, apaixonado pelo Pai, pedia algo verdadeira e extraordinariamente digno da divindade, da grandeza e da santidade do Pai  celeste.
Foi então que Jesus, movido por seu infinito amor ao Pai e aos seus discípulos de todos os tempos, encontrou uma forma, criou um ritual, instituiu uma celebração, criou uma ação humana e  divina, que contém em si mesma, que torna presente, aqui e agora, o seu ato máximo de amor, o  seu próprio sacrifício oferecido na cruz, cada vez que esse ritual é celebrado.
            Jesus instituiu a Santa Missa exatamente como forma de tornar presente o seu sacrifício oferecido na cruz. Em carta a Santa missa tornam-se presentes o Corpo e o Sangue de Jesus. O mesmo Corpo crucificado e o mesmo Sangue derramado. Portanto, durante a celebração da Santa Missa, na hora da consagração, torna-se presente sobre o altar o próprio Jesus sacrificado, o Cordeiro divino, imolado na cruz! O sacrifício de Jesus se torna presente, a fim de que nós possamos oferecê-lo sempre de novo ao Pai, como ato máximo de nosso culto.
Eis porque a Santa Missa é o ponto mais alto da vida da Igreja: "porque nela se faz presente o sacrifício que Jesus ofereceu na Cruz"! Eis também porque a Santa Missa é a fonte de todas as graças, como disse o Vaticano II: "porque Jesus sacrificado e ressuscitado é o autor e a fonte de todas as graças."
Diz o Concílio de Trento: " Na missa é oferecido um sacrifício verdadeiro e autêntico e este oferecimento não consiste só no fato de que Cristo se deu em alimento. O sacrifício da missa não é apenas um sacrifício de louvor  e ação de graças, nem uma simples comemoração do  sacrifício propiciatório".
Nos primeiros textos cristãos, a Eucaristia não foi vista apenas como uma ceia, mas como um sacrifício. A Didaquê, por exemplo, a firma como todas as letras que a celebração eucarística é um sacrifício. São Justino repete freqüentemente a mesma afirmação. A tradição que veio em seguida, com santo Irineu, Orígines e São Cipriano, mantém essa doutrina. Orígenes defendeu mais especificamente a natureza propiciatória do sacrifício eucarístico. Já o papa a Paulo VI afirma que o mistério eucarístico é apresentado, de modo admirável, o sacrifício da Cruz consumado, uma vez, no calvário".
Disse ainda o concílio de Trento: é uma única e idêntica vitima (Jesus), é o mesmo que agora se oferece mediante o ministério dos sacerdotes, Aquele que uma vez se ofereceu a si mesmo na cruz. O que difere é o modo de oferecer-se". No sacrifício eucarístico, ou a seja, na Santa Missa, é oferecido o próprio Cristo. É sempre Ele, e somente dele o preço pago para a nossa salvação. Por isso, na celebração eucarística, o corpo e o sangue de Cristo tornam-se presentes, são eles, com a presença do Salvador ao qual pertencem, a serem apresentados como oferenda ao Pai pela salvação da humanidade, e por todas as graças vinculadas a essa salvação.

DEDUÇÕES INTERESSANTES

Primeira: A Santa Missa é o ato máximo de culto da Igreja Católica, porque ela é celebrada exatamente para tornar realmente presente sobre o altar o sacrifício que Jesus ofereceu uma vez por todas, na cruz, pela nossa salvação.
Segunda: O sacrifício de Jesus se torna presente sobre o altar na hora da Consagração, quando, pelas palavras de Jesus, pronunciadas pelo celebrante, e pela ação do Espírito Santo, o pão e o vinho são transformados em Corpo e Sangue de Jesus. Portanto, a Consagração não existe, em primeiro lugar, para que possamos comungar, mas para que Jesus possa oferecer de novo ao Pai o seu Sacrifício realizado na cruz.
Terceiro: Este sacrifício do dom da vida de Jesus torna-se presente por vontade expressa de Jesus  pois na última ceia, após Ele mesmo ter realizado essa maravilha, disse: "Todas as vezes que  fizerdes isto, fazei-o em minha memória".
Quarto: O sacrifício torna-se presente, a fim de que nós - a Igreja toda - possamos oferecê-lo sempre de novo ao Pai, como nossa oferta mais perfeita e santa. Esta oferta é expressa nas orações realizadas logo após a Consagração. Vale a pena dar atenção a essas orações.
Quinto: O sacerdote que faz a oferta do sacrifício é o próprio Jesus. O faz por meio do celebrante.  Mas consigo, Jesus nos oferece conjuntamente ao Pai. Podemos exprimir essa oferta desta forma: Jesus se oferece e nos oferece com Ele. Nós O oferecemos e nos oferecemos com Ele ao Pai.
Sexto: Na consagração nós oferecemos o sacrifício de Jesus ao Pai. Na Comunhão, o Pai nos oferece   Jesus vivo, como companheiro de caminhada.
Sétima: Quando saímos de casa para ir à Santa Missa, na verdade, não estamos indo em primeiro lugar para rezar, para cantar, para ouvir a Palavra de Deus e a pregação, mas sim, para "oferecer o sacrifício de Jesus ao Pai e oferecermo-nos com Ele". E se estivermos preparados, poderemos receber Jesus vivo em Comunhão de vida.
Oitava: Porque contém a presença real do sacrifício de Jesus para ser oferecido, a Santa Missa é o maior ato de adoração (adorara ao Deus Uno e Trino), de louvor (elogiar a Deus Uno e Trino por  aquilo que Ele é, fez a faz), de ação de graças (agradecer por benefícios recebidos de Deus), de propiciação (fazer as pazes com Deus por causa dos pecados), de intercessão (pedir bênçãos para nossos irmãos), de sufrágio das almas do purgatório (para que sejam perdoadas e entrem na  felicidade celeste).
Nona: Vale a pena tomar o livrinho feito para acompanhar a Santa Missa e ler as orações do ofertório e após a consagração, prestando atenção às palavras "sacrifício" e "oferta-oferecimento " a fim de perceber a realidade da presença e da oferta do sacrifício de Jesus.
Décima: Será uma grande riqueza e uma fonte inesgotável de graças para nossa vida cristã, se procurássemos estudar a fundo a Santa Missa, a fim de podermos participar "ativa, consciente e plenamente" como diz o Vaticano II.









15 de julho de 2018

NOSSA SENHORA DO CARMO




            Muitos nomes, muitos títulos, muitas imagens e quadros diferentes, muitas medalhas e muitas devoções para uma só mulher: Maria de Nazaré, a Virgem Mãe de Jesus Cristo, nosso Salvador e Mestre.
            Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Carmo, Rainha da Paz, Imaculada Conceição, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da medalha milagrosa, e centenas de outros títulos e nomes dados à Virgem Maria, filha predileta do Pai, mãe carinhosa do Filho, esposa mística e fecunda do Espírito Santo, mãe da Igreja, nossa dileta mãe celeste, e rainha de nossos corações.
            Trazemos, ao caro leitor, considerações e louvores à Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora do Carmo.

O monte Carmelo
            O termo ‘Carmo’ originou-se do nome de um pequeno monte situado ao norte de Israel, chamado monte Carmelo. Este monte aparece na Bíblia, no A.T., de modo particular ligado ao profeta Elias, que ali habitou por algum tempo e onde desempenhou sua missão profética. 
          No século XII, um homem da Calábria, de nome Bertoldo, retirou-se com alguns companheiros para esse monte, onde se estabeleceu e consolidou na vida monástica um grupo de monges. Eles  cultivavam e difundiam uma especial devoção a Nossa Senhora. Por habitarem ali, os monges receberam o nome de ‘Carmelitas”, e a Virgem Maria passou a receber ali o título de Nossa Senhora do monte Carmelo, ou Nossa Senhora do Carmo.
            Em 1209, uma regra monástica muito rigorosa a ser vivida por esses monges carmelitas foi aprovada por Dom Alberto, patriarca de Jerusalém,. Mais tarde, essa regra de vida foi aprovada pelo Papa Honório III. Eis ali a origem das ordens dos e das carmelitas.

O escapulário
            Simão Stock levava uma vida de eremita já há vinte anos. Ao conhecer o rigor da regra e a espiritualidade carmelita, entrou nessa ordem, e avantajou-se entre os irmãos, chegando a ser eleito superior geral, em 1245.
            Devotíssimo da Virgem e zeloso pela salvação e santificação dos seus co-irmãos monges, solicitava com insistência que Maria lhes alcançasse de Jesus graças especiais. Certo dia, Ela lhe apareceu, portando em seus braços um hábito religioso, entregando-o e dizendo-lhe: “Meu dileto filho, eis o escapulário, que será o distintivo de minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno". O desejo de Simão foi realizado sobremodo.
            O nome ‘escapulário’ foi dado àquele hábito religioso da ordem do Carmo pela própria Virgem Santa. Esse nome aliás, é tirado da palavra latina ‘scápula’, que se traduz por ‘ombro’. De fato, o hábito religioso é sustentado pelos ombros e desce para cobrir todo o corpo. Donde o nome escapulário.
            Essa veste deve simbolizar, sempre, uma profunda devoção e confiança em Nossa Senhora por parte da pessoa que o usa. Assim como o escapulário original – o hábito - envolve todo o corpo da pessoa, assim a proteção e a intercessão de Maria envolvem todo o ser do devoto.  
            De acordo com as palavras de Nossa Senhora a Simão Stock, lidas acima, o escapulário se restringia à ordem carmelita. Com o correr de muitos anos, tanto o escapulário como peça de roupa e objeto, como também as exigências espirituais para poder usá-lo, foram se alterando. No início era um hábito completo de monge. Depois passou a ser uma longa estola, larga como os ombros da pessoa, que caia para frente e para trás, da altura da pessoa, e usada sobre o hábito religioso. Em nossos dias se restringe a duas medalhas feitas de pano ou de metais, uma do Coração de Jesus e outra de Nossa Senhora do Carmo, unidas por duas cordas ou correntes que permitem que o Coração de Jesus fique sobre o peito da pessoa, e Nossa Senhora sobre as costas. Aliás, até há escapulários feitos por uma única medalha, tendo o Coração de Jesus de um lado e Nossa Senhora do Carmo no verso. Essas mudanças não alteram substancialmente o escapulário. Elas se adaptaram aos tempos e aos costumes dos povos.
            Quanto às condições de uso do escapulário, houve uma transição profunda. De inicio, segundo as palavras de Nossa Senhora: “Meu dileto filho, eis o escapulário, que será o distintivo de minha Ordem”, se destinada à ordem dos carmelitas. Depois estendeu-se a uma espécie de “Irmandade Carmelitana”, à qual passavam a pertencer os que solicitassem ingresso, assumissem uma devoção especial a Maria, manifesta por determinados atos de piedade, recebessem o escapulário das mãos de um bispo ou sacerdote que havia recebido autorização para impô-lo, e tivessem seu nome oficialmente inscrito na irmandade, recebendo até, algumas vezes, um diploma de ‘Irmão Associado’. Depois foi estendido a todos os que, por devoção a Nossa Senhora do Carmo, e desejosos de viver sob sua proteção, adquiram um escapulário, a ser abençoado por qualquer sacerdote, e usado como um sacramental, sempre como forma de cultivar uma particular devoção a Maria, para dela receber graças especiais.

Dois privilégios
            Simão Stock pedia a Nossa Senhora manifestações de graças especiais para todos os Carmelitas, tanto para a perseverança e salvação eterna, quanto para a santificação dos membros da ordem. Maria atendeu. “Meu dileto filho, eis o escapulário, que será o distintivo de minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno".
            Primeiro privilégio: libertação da condenação do inferno. O escapulário é “penhor (que significa: garantia) de privilégio” alcançado por Nossa Senhora do Carmo, e estendido, agora, a todos os que lhe são devotos e portam o escapulário. A estes, a Virgem Mãe garante que estarão livres do castigo do inferno.
            Segundo privilégio: libertação do purgatório no primeiro sábado após a morte do devoto.
Este privilégio, baseado no sufrágio dos fiéis falecidos, garante que Nossa Senhora, com sua força de intercessão junto à Trindade santa, e pelo méritos de seu Filho, retirará do sofrimento do purgatório e levará para o céu já no primeiro sábado após a morte, o seu devoto que porta o escapulário em vida.

Significado espiritual do escapulário
            É de suprema importância compreender o significado espiritual do escapulário. Não pode ser visto ou usado como um amuleto que produza efeitos mágicos. Nosso Deus não é um mago. Nem Nossa Senhora do Carmo é uma pitonisa. Simão Stock é um exemplo para os devotos de nossa senhora do Carmo.
O essencial dessa espiritualidade do escapulário é uma profunda, esclarecida e perseverante devoção a nossa Senhora, mãe de Jesus. A devoção à Virgem Mãe do Carmelo deve estar fundamentada : 1º sobre uma fé consciente e profunda na pessoa de Jesus Cristo; 2º sobre uma aceitação feliz e agradecida dos ensinamentos do Divino Mestre; 3º sobre o viver uma vida cristã autêntica e com empenho de perfeição sempre maior; 4º sobre uma participação ativa na comunidade da Igreja; 5º sobre um cultivo constante do amor a Maria, por meio de atos de piedade mariana; e 6º sobre um amor generoso para com todos os irmãos de caminhada.
O escapulário usado com piedade é um meio de manter constantemente uma lembrança carinhosa de nossa Senhora, quer sob o título de Nossa Senhora do Carmo, ou sob outro título apreciado pelo devoto. Essa lembrança constante provocada pelo escapulário deve elevar, muitas vezes, o coração do devoto até a Virgem Maria, que está no Céu, quer homenageando-a com gestos de amor, com orações de louvor e gratidão, com preces fervorosas, ou com clamores de filhos necessitados de socorro.
Essa amizade com Nossa Senhora, cultivada carinhosa e criativamente por um devoto, crescerá progressivamente e conduzirá esse filho mariano a querer viver uma vida cristã sempre mais exemplar. Aliás, é esta a maior alegria que podemos dar a nossa Senhora: vivermos como apaixonados discípulos de Jesus Cristo. O discípulo de Jesus põe Deus em primeiro lugar, em sua vida, e põe o próximo como o irmão amado, para amá-lo como Jesus nos ama. Eis aí o resumo da Bíblia: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como Jesus nos ama. Essa vida de amor a Deus e ao próximo é o que mais agrada a Maria, mãe de Jesus.
Os atos de culto a Nossa Senhora do Carmo, lembrados pelo amor a Maria e pelo escapulário são todos aqueles oferecidos ou aprovados pela Igreja e pela devoção mariana. O santo rosário, o oficio de Nossa Senhora, a ladainha da Virgem Maria, todas as orações marianas aprovadas pela autoridade da Igreja, as orações espontâneas criadas pelo amor fervoroso do coração amante da Mãe celeste, jaculatórias marianas.
A frequência e participação fervorosas na Santa Missa e Santa Comunhão, a Confissão frequente, os atos de ascese cristã como: o jejum, as abstinências, as mortificações dos sentidos, as penitências, as piedosas peregrinações em busca da graça divina, tudo isso é muito agradável e desejado por Nossa Senhora do Carmo.
O que vale não é simplesmente portar um escapulário, mas sim viver uma espiritualidade cristã e mariana, inspirada no escapulário.
Nossa Senhora do Carmo, Rogai por nós!

15 de março de 2018

Primeiro Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”.


T R I N D A D E
Amar a Deus mais do que a todas as coisas é colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida. Porque Ele é amor infinito e nos ama com amor eterno, personalizado, misericordioso, gratuito e incondicional, deve ocupar o primeiro lugar em nosso coração. Porque ele é o maior tesouro, a maior riqueza e a fonte de todas as bênçãos para nossas vidas, merece e precisa ser o primeiro entre todos os valores, precisa ocupar o primeiro lugar. Quando damos a Deus o “seu lugar”, “o altar principal” no nosso coração, saberemos colocar todos os outros valores e todas as outras coisas no seu devido lugar. E saberemos substituir os não-valores por valores preciosos.
Para colocar Deus em primeiro lugar, para amá-Lo com toda vibração do coração, e para tê-Lo como a maior riqueza, é preciso “sentir-se amado por ele”, é preciso perceber todas as provas de amor que Deus Pai, que o Filho-Jesus e que o Espírito Santo já nos deram e nos dão a cada dia. É a vivência de uma amizade profunda e cultivada com o Deus-Trindade, é um amor entranhado e experimentado para com Ele que nos levam a colocar “Deus em primeiro lugar”.
Ao colocarmos Deus em seu devido lugar, isto é, em primeiro lugar, todas as outras pessoas e coisas passarão a ocupar o seu respectivo lugar na verdadeira escala de valores. Aliás, só quando colocamos a Deus em primeiro lugar é que encontraremos a melhor forma de amar, de valorizar e de servir às pessoas humanas, e de usar de forma correta e sábia toda a criação divina.
Quando Deus ocupa o seu devido lugar em nossos corações e em nossas vidas, viveremos a verdadeira fé, sentiremos a força da esperança, e saberemos o significado da caridade, bem como de tudo quanto ela é capaz de realizar em relação a Deus e aos irmãos. Mais. A adoração, o louvor, a glorificação, a ação de graças, a rendição, a busca do perdão divino, enfim, todas as formas de oração brotarão do coração, naturalmente, como de uma fonte.
Quando vivemos no amor supremo de Deus, sentiremos horror a todo tipo de pecado contra o primeiro mandamento, ou seja, a todo tipo de idolatria, superstição, magia, adivinhação, irreligião, enfim, a tudo o que queira ocupar o lugar de Deus em nossas vidas. Sentiremos horror a todo pecado, pois ele ofende a Deus, o bem supremo. Amar a Deus sobre todas as coisas: eis a fonte de todas as bênçãos.