3 de fevereiro de 2010

MAMÃE MORREU... AGORA É TARDE!



Piero, um jovem de dezessete anos, um dia foi acordado bem cedo. Deram-lhe uma triste e dolorosa notícia: sua mãe teve um enfarto fulminante e morreu. Foi encontrada morta na cama.
Passados os dias dolorosos do velório, do sepultamento, da grande ausência e saudades, Piero entrou em profundo sentimento de remorso e de auto-condenação. A lembrança dos muitos sofrimentos que havia causado à mãezinha não lhe saíam da mente. Martelavam sua consciência de dia e de noite
Na ânsia de ser livre, de ser dono de seu nariz, de sair de casa e voltar quando quisesse ou bem entendesse, a qualquer hora da noite, sem dar satisfação aos pais, Piero provocou muitos atritos com os pais. Discutiu, brigou, desobedeceu, desabafou, disse palavras pesadas e humilhantes. Jamais aceitou dialogar e chegar a algum acordo com os pais. Fez sua mãe chorar muitas vezes. Ele era a grande preocupação dos pais e de toda a família. Chegou a ficar dias e dias sem sequer cumprimentar seus pais.
A volta ao amor pela dor
A morte súbita da mãe caiu em seu coração como uma bomba. Transtornou todo seu interior. Caiu em si e percebeu quantos e quão grandes sofrimentos havia causado a ela. Percebeu muito bem sua ingratidão, seu desamor, injustiça e maldade cometidas contra os pais.
Um profundo sentimento de arrependimento, de remorso e de abatimento envolveu todo seu ser. Dizia: “Eu daria tudo para poder pedir perdão a mamãe e refazer todo mal que fiz contra ela... Mas agora é tarde! Mamãe morreu!”
Muitas pessoas têm sofrimentos semelhantes aos de Piero. Sentem remorsos dolorosos em relação a entes queridos falecidos, por não tê-los amado em vida, por não ter cuidado bem deles na enfermidade ou velhice, por tê-los ofendido, injustiçado, maltratado em vida. Tais remorsos geram outros sentimentos negativos como: auto-condenação, auto punição, ódios ou raivas de si mesmos e profundos sentimentos de tristeza.
Como prestar auxílio eficaz a essas pessoas para se libertarem de seus sofrimentos?
Em primeiro lugar é preciso ensiná-los, convencê-los e levá-los a pedir perdão ao ente querido falecido. É preciso recordar-lhes que os falecidos vivem. A morte é apenas uma páscoa, uma passagem desta, para outra vida melhor, vivida junto a Deus para sempre. Ora, se os falecidos existem, vivem junto a Deus, há condições de, através da oração do perdão, fazer chegar a eles o seu pedido de perdão.
É preciso curar-se para viver melhor
Como agir concretamente? Procure um lugar silencioso: seu quarto, o escritório, a sala, uma igreja. Entre em clima de oração e ore brevemente. Em seguida, traga pela imaginação a pessoa falecida. Imagine-a viva, bela, feliz, rejuvenescida, sadia, amiga, assim como ela está junto de Deus. Agora fale com ela, como se ela estivesse realmente presente. Fale prolongadamente, se possível em voz audível. Fale para pedir-lhe perdão profunda e detalhadamente por todos os desamores, ofensas, sofrimentos causados a ela em vida. Peça perdão por tudo quanto seu coração lamenta ter agido de forma errada contra ela.
Em segundo lugar, é preciso ensinar, convencer e levar a pessoa a perdoar-se a si mesma, por ter ofendido, por não ter amado ou prejudicado o falecido. O auto-perdão, ou seja, o perdoar-se a si mesmo é um remédio poderoso e eficaz para curar toda mágoa de si, pelo fato de ter ofendido a pessoa falecida.
Como agir concretamente? Logo após ter pedido perdão ao ente querido falecido, você continua falando consigo mesmo, em voz audível, perdoando-se profundamente. Você diz seu próprio nome e perdoa-se detalhada-mente por todo sofrimento causado à pessoa falecida. Por exemplo: “Eu Piero, me perdoo de todo coração por todo sofrimento causado a mamãe. Eu me perdoo de todo coração. Perdoo-me por todas as lágrimas que chorou por minha causa. Perdoo-me por todas as palavras duras, ingratas, ofensivas que lancei em seu rosto. Eu me perdoo...” E prossegue perdoando-se detalhadamente, repassando todas as ofensas cometidas. Algo importante: é preciso repetir estas duas formas de perdão mais vezes, muitas vezes. Na repetição diária está o segredo do sucesso, ou seja, o segredo da cura total de todo auto--desamor e dos remorsos.

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2 Comentários:

Blogger DannyAdMasc disse...

Lindo texto, e o mais difícil de tudo é se perdoar.

10 de abril de 2010 12:43  
Anonymous Anônimo disse...

Nunca pensei que pudesse ser mais fácil conceder o perdão ao outro do que a nós mesmos. Malu

20 de outubro de 2013 20:45  

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