17 de agosto de 2017

ASSUNÇÃO DA IMACULADA


 
            No mês de agosto, na festa da Assunção, celebramos o glorioso acontecimento da elevação de Maria, mãe de Jesus, aos céus, em corpo e alma.  Diz o Vaticano II, no número 147: “Terminado o curso da via terrestre, Maria foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. Em síntese. Ao final de sua vida terrena, certo dia, a Virgem “adormeceu”, seu corpo foi imediatamente glorificado, e Ela – completa – com seu corpo e alma – foi elevada aos céus. Seu corpo não se corrompeu. Foi transformado, glorificado, imortalizado, à semelhança do corpo ressuscitado de Jesus.
            Maria não morreu?... Uma corrente de teólogos diz que não. Aliás, eles indicam argumentos teológicos e bíblicos muito fortes. Para esses, ela teria apenas “adormecido” num sono semelhante ao da morte. Seu espírito – sua alma –  não teria deixado seu corpo. Neste estado de “dormição - adormecimento”, foi sepultada, e imediatamente transformada, glorificada e elevada, inteira, para a glória do céu.
            Maria morreu?... Outra corrente de reflexão teológica diz que sim, e aponta seus argumentos. Afirmam que Maria quis seguir o mesmo caminho de seu Filho. À semelhança de Jesus,  Maria teria morrido, teria sido sepultada e imediatamente ressuscitada. Seu corpo teria sido glorificado, e Ela – inteira – teria sido elevada à glória dos céus, em corpo e alma.
            Como foi exatamente a “passagem”, a “páscoa” de Maria para o céu, por certo, só o saberemos quando estivermos com Ela, na glória.

O túmulo  de  Nossa Senhora.
            O túmulo onde a Virgem “repousou por um pouco de tempo” está em Jerusalém, na Igreja da Assunção. Um documento de alta antiguidade, chamado “Dormício Vírginis”, “A Dormição, o Adormecer da Virgem”, conhecido desde o segundo século, revela o lugar onde o corpo de Maria deveria ser colocado. Diz o documento: “Nesta manhã, tomai convosco a senhora Maria e andai para fora de Jerusalém, pelo caminho que conduz à cabeceira do vale, além do monte das Oliveiras. Ali existem três grutas: uma larga, externa; depois outra, dentro dessa; e uma pequena câmara interna, com um banco elevado, de argila, na parte leste. Colocai a Bendita sobre aquele banco”. Alguns atribuem esse documento ao Apóstolo São Tiago, bispo de Jerusalém.
            Essa tumba era venerada pela comunidade judeu-cristã deste os primórdios da Igreja, como sendo, de fato, o túmulo de Nossa Senhora. No século V, a “câmara” onde foi colocado o corpo de Nossa Senhora foi separada e isolada do conjunto das duas outras salas anteriores, e em torno, e sobre ela, foi construída uma igreja, como se pode ver atualmente. Essa igreja foi dedicada à Assunção de Maria. (Cf. Guida di terra Santa, pg 104, ano 1973)

A igreja da Assunção, em Jerusalém
            No lugar do túmulo de Nossa Senhora foi construída a igreja da Assunção. A construção passou por várias modificações, inclusive por destruições feitas por Saladino (1187) e reconstruções realizadas pelos cruzados, e mais tarde, pelos frades franciscanos. Atualmente, se desce por uma longa escadaria até o corpo da igreja subterrânea, onde se encontra a tumba, “onde a Imaculada dormiu seu breve sono”. Desde 1757, quando os frades franciscanos foram expulsos do local e lhes foi tirado o direito de cuidar do local, à comunidade católica sobra a possibilidade de ali prestar um culto público e comunitário, de forma oficial, apenas três vezes por ano, dentre as quais, o dia 15 de agosto, quando se celebra a Assunção de Maria. (Cf. Guida di terra Santa, pg 104, ano 1973)

A Assunção na Bíblia
            Não encontramos textos bíblicos “explícitos” que relatem a verdade da Assunção de Maria aos céus, em corpo e alma. Os estudiosos do assunto, contudo, dão fortes razões para explicar o fato de os escritores sagrados do Novo Testamento não relatarem esse acontecimento.
            Esses mesmos mariólogos, em suas reflexões teológicas, apontam para alguns textos bíblicos onde vêem “implicitamente” a presença da verdade da Assunção, ou seja, da ressurreição e glorificação imediata da Virgem, após sua “dormição”. Eis alguns textos. 1. No proto-evangelho: Gn 3,15.  2. Na saudação do Arcanjo a Maria: Lc 1,28  3. Salmo 131, 8.  4. Salmo 44, 10.  5. Apoc 12, 1.
            A algum possível leitor que não aceita essa verdade porque não há textos bíblicos explícitos que falem a palavra “Assunção”, e nem relatem claramente o fato ocorrido com Maria, precisamos lembrar que nós, católicos, temos duas fontes principais da revelação: a Bíblia e a Tradição. É bom recordar que os Evangelhos, antes de serem escritos como os temos hoje, também eram “tradição”. Eram falados, contados, pregados, escritos por partes. A Tradição é muito forte na transmissão do acontecimento da Assunção, deste os inícios do cristianismo. Ela é, para nós, fonte segura da verdade sobre a Assunção da Virgem.

A voz da Tradição
            O conhecimento da verdade da Assunção, a aceitação feliz e agradecida desse fato, as narrativas orais feitas de geração para geração, os escritos apócrifos descritivos, o culto junto à tumba da Virgem, toda essa tradição foi ininterrupta na Igreja, desde os tempos apostólicos.
            A literatura do povo fiel daqueles dias longínquos afirma de forma mais explícita a Assunção corpórea de Maria. Os escritos apócrifos, tão numerosos e difundidos nas línguas orientais, relatam com abundância de pormenores a Assunção de Maria. Se neles há piedosas considerações feitas por fantasias estimuladas pela fé e amor para com Maria, em sua substância encontra-se o relato do pensamento e das crenças dos cristãos daqueles tempos, sobre a verdade da Assunção da Imaculada.
            O cuidado para com o lugar do túmulo de Maria, a construção da igreja sobre o túmulo, as disputas contra os hereges pela posse do local, as várias reconstruções da igreja, aliás em séculos tão distantes, mostram desde os tempos apostólicos a forte convicção e certeza dos cristãos quanto à Assunção da mãe de Jesus. Essa tradição torna-se uma muito forte prova da veracidade do acontecimento da Assunção de Maria.
           
A festa e o dogma
            A festa da Assunção já foi instituída nos longínquos anos trezentos, e logo aparece como uma festa de uso universal e comum, não somente entre os cristãos, mas também entre antiqüíssimas igrejas nacionais, como a dos armênios e dos etíopes.
            A partir do século V, a Assunção de Maria já se encontra afirmada em muitos documentos. No século VII a doutrina e a festa da Assunção se difundem por todo orbe católico.
            No Concílio Ecumênico Vaticano I, mais de duzentos bispos solicitaram ao Papa a declaração do dogma da Assunção de Maria aos céus em corpo e alma. Mas essa verdade só foi declarada como “verdade de fé”, como Dogma de fé, em primeiro de novembro de 1950, pelo Papa Pio XII.
            Com a declaração do dogma, a Igreja nos garante a certeza de que, de fato, a Virgem Maria foi elevada aos céus em corpo e alma, e está na gloria, junto da Trindade.
            “Maria, assunta aos céus, tu és a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e a honra do nosso povo”!


15 de agosto de 2017

A FÉ VEM DO OUVIR



A fé é uma energia espiritual e uma iluminação do nosso intelecto que nos capacitam crer em Jesus ressuscitado e em todas as verdades por Ele reveladas.  A fé é um dom, um presente de Deus. Não somos nós que a criamos, mas foi o Espírito Santo que no-la deu no dia do nosso batismo.
Para que alguém possa chegar a crer em Jesus, é preciso que dEle ouça falar, e ouça falar de tal forma que se desperte no ouvinte o desejo de conhecê-Lo, e assim nasça a fé em Jesus.
São Paulo, ao escrever aos Romanos disse: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,5). Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?  E como pregarão, se não forem enviados, como está escrito: Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas (Is 52,7)?...  Mas não são todos que prestaram ouvido à boa nova. É o que exclama Isaías: Senhor, quem acreditou na nossa pregação (Is 53,1)?  Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo.  (Rm 10, 13-18).
Nesse texto ressaltamos que “para ser salvo é preciso crer em Jesus. Para crer nEle é preciso ouvir falar dEle. E para ouvir falar dele é preciso que haja quem pregue” Portanto, a fé em Jesus vem do ouvir falar bem dEle”.
Por que Zaqueu quis tanto ver Jesus? Por que a prostituta foi procurar Jesus num banquete? Por que Nicodemos foi procurar Jesus à noite? Por que Jairo foi procurar Jesus para ressuscitar sua filha? Porque vários leprosos foram pedir a Jesus a cura? Por que muitos doentes foram pedir a Jesus a cura? Foi porque “ouviram falar das maravilhas feitas por Jesus, e ao ouvir, se lhes despertou a fé nEle, e por isso foram procurá-Lo e todos foram atendidos.
Além de renovar em profundidade a nossa própria fé, precisamos falar muito bem de Jesus às pessoas que ainda não creem, a fim de que recebam o dom da fé, creiam em Jesus, vivam uma vida cristã verdadeira e sejam salvos. “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Jl 3,5)


9 de agosto de 2017

SÓ A FÉ SALVA?


No que concerne à fé e as obras, não podemos deixar de citar o texto bíblico de São Tiago. “De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Assim também a fé: se não tiver obras é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho  Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas. Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta. (Tg 2,14-25)
            Não existe fé verdadeira sem obras. As obras sobrenaturais são produzidas pela fé. Em relação à discussão se é a fé que salva, ou se são  as obras que salvam não podemos separar, dividir, uma da outra. Quanto maior a fé, maior será o número de boas obras. Quanto mais obras ótimas são feitas, é sinal de uma grande fé.
            O que salva é a fé profunda em nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado e nas verdades por Ele reveladas. E essa fé gera uma vida cristã vivida em santidade e cheia de boas obras.
A fé é como uma árvore  pessegueiro. As obras são os pêssegos. De que serve um pessegueiro se não produz pêssegos? Mas os pêssegos só existem se existe o pessegueiro. A fé é causa das obras. As obras são a conseqüência da fé.

            Queremos aprofundar e consolidar a nossa vida de fé, e por meio dela, queremos renovar o nosso relacionamento com a Trindade, bem como toda a nossa vida cristã, a nossa vida com a Igreja, a celebração dos sacramentos, o alimento da Palavra, enfim tudo para que vivendo em santidade e boas obras, alcancemos a glória celeste.